O SISTEMA PRODUTOR SÃO LOURENÇO: A SABESP PODERIA OUSAR MAIS

O projeto de implantação do Sistema Produtor São Lourenço (SPSL) pela Sabesp a partir da reversão das águas da bacia do alto rio Juquiá visa potencializar a oferta de água de forma a atender ao déficit atual da Região Metropolitana de São Paulo, cuja carência de água já se faz sentir notadamente em setores da zona oeste desta macro metrópole onde a produção dos sistemas Alto e Baixo Cotia é insuficiente. Em 2010 já havia um déficit de 1,5 m3/s entre demanda media estimada e oferta na RMSP (Q 95= 68,1 m3/s) tendendo-se a se ampliar nos próximos 5 anos podendo chegar a uma faixa entre 3,4 e 5,8 m3/s em 2015, mesmo considerando os esforços empreendidos pela Sabesp na redução de perdas.

De acordo com os estudos do Plano de Bacia do Alto Tietê, os sistemas produtores em operação não tem possibilidade de elevar suas disponibilidades hídricas firmes, razão pela qual outros mananciais mais distantes tem sido cogitados visando o abastecimento de água da RMSP. Por outro lado, dentre as alternativas estudadas pelo PDDA 2025 nas bacias circunvizinhas: rios Itatinga e Itapanhaú, rio Capivari, Alto Sorocaba e Alto Paraíba do Sul, emergiu como a mais viável por razões de natureza técnica, econômica e ambiental o aproveitamento da bacia do Alto Juquiá mediante o Sistema Produtor São Lourenço.

O SPSL prevê a captação de uma vazão media anual de 4,7 m3/ no braço do ribeirão Laranjeiras afluente ao reservatório Cachoeira do França a ser recalcada, aduzida e tratada de forma a abastecer prioritariamente cerca de 1,5 milhões de pessoas moradoras da zona oeste da RMSP através da interligação ao Sistema Integrado Metropolitano da Sabesp. Esta vazão foi adotada como vazão de projeto por força do artigo 5º do Decreto de 27 de junho de 1996 da Presidência da República, cujo texto manifestou uma preocupação em “preservar o direito de derivação das águas do Alto Juquiá, com reversão de até 4,7 m3/s, para abastecimento público da Região Metropolitana da Cidade de São Paulo”.

Além da captação segundo uma vazão nominal de 6m3/s para bombeamento em 18,8 horas/dia, fora do horário de pico de energia (de forma a poder aproveitar o valor reduzido da tarifa), o sistema será constituído de 48,22 km de adutora de água bruta com diâmetro de 2100 mm , Estação de Tratamento de Água para 5m3/s , 30,75 km de adutora de água tratada com diâmetros de 2100 mm, 1800 mm, 1500 mm e 1200mm, 14,3 Km de 4 sub adutoras em diâmetros de 800 a 400mm, 40,36 km de linhas de transmissão, além de reservatórios e estações de bombeamento. No total, onze municípios situados na RMSP e no seu entorno abrigarão partes deste sistema em seus territórios.

Ocorre, porém, que a disponibilidade hídrica do reservatório Cachoeira do França ( futuro local de captação do novo sistema no rio Juquiá) é de 18,6 m3/s para 100% de garantia (Q100), descarga três vezes superior à vazão de projeto ( 4,7 m3/s).

Foi entretanto com base nesta vazão que todo este sistema está sendo projetado para ser construído de acordo com a Licença Ambiental concedida, embasada no EIA/RIMA aprovado que considerou burocraticamente apenas os 4,7 m3/s fixados naquele Decreto e não toda aquela vazão disponível naqueles mananciais, potencialmente passiveis de serem utilizados para abastecimento.

Se é sabido que somente esta vazão outorgada não é suficiente para atender a demanda de água já em futuro próximo da RMSP, principalmente considerando-se as novas regras operacionais do sistema Cantareira que certamente virão no bojo da renovação da outorga em 2014, ajustada de forma a assistir aos municípios do PCJ, (que resultarão na redução dos 33m3/s atualmente aduzidos integralmente à RMSP), porque já não implantar de imediato o SPSL de modo a aproveitar toda a capacidade de armazenamento do Cachoeira do França?

A resposta a esta questão tem sido dada até agora com aparente conformismo, pois até pelo menos o ano 2016 (data do fim do Contrato de Concessão celebrado entre a ANEEL e a CBA de acordo com aquele Decreto) estas águas energizadas serão utilizadas na geração de energia elétrica nas 6 usinas hidrelétricas da Companhia Brasileira de Alumínio em seu processo produtivo para a extração da bauxita. No total, as usinas denominadas França, Fumaça, Barra, Porto Raso, Alecrim e Serraria, localizadas ao longo de um trecho quase todo represado compreendido entre a borda do planalto e a planície do rio Ribeira de Iguape, produzem 230 MW de potência.

Mas e depois de 2016? O uso da água para fins potáveis não é hierarquicamente prioritário de modo a saciar a população?

Em sendo assim, levando-se em conta também o prazo de conclusão do sistema previsto para entrar em marcha só daqui há 5 anos, em meados de 2017, o Sistema Produtor São Lourenço (à exceção da ETA que pode ser implantada modulada) deveria ser ambientalmente licenciado, dimensionado e construído para toda a vazão Q95, da ordem de 22 m3/s, passível de ser extraída no Cachoeira do França de modo a atender com segurança as demandas de água da RMSP nos próximos anos. Como isto não foi feito, há que se providenciar que pelo menos a complementação dos estudos ambientais e a adequação do projeto deste empreendimento para adução da Q95 devam ser iniciados de imediato visando a obtenção do competente licenciamento ambiental.

Quanto à CBA, esta poderá adquirir sem grandes dificuldades uma quantidade equivalente de energia no mercado, sem prejuízo das indenizações ou compensações adequadas às quais eventualmente tenha direito, em conformidade com a legislação. O mesmo procedimento terá de fazer a Sabesp na energização do SPSL.

São Paulo e sua região metropolitana necessitam urgentemente de um novo Sistema Cantareira com quantidade e qualidade de água adequadas.

O abastecimento de água na Região Metropolitana de são Paulo, por sua importância e urgência tem sido até hoje um tema recorrente de discussões no Instituto de Engenharia.

Em 2005 , por ocasião da inauguração da TV IE , disponível no portal do Instituto de Engenharia, este tema foi objeto de uma mesa redonda em que participaram os engenheiros Julio Cerqueira Cesar Neto, então presidente da Agencia da Bacia do Alto Tietê, João Francisco Soares, diretor daquela Agencia e o autor deste texto.

Os temas discutidos, decorridos, mais de 8 anos daquele encontro, são, no entanto, atuais e, por esta razão, valem a pena serem vistos novamente no vídeo a seguir:

(José Eduardo Cavalcanti)

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PROPOSIÇÃO DE UM NOVO MODELO DE CONTRATAÇÃO DE PROJETOS DE ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTOS SANITÁRIOS MUNICIPAIS (ETEs)

No passado até o início  da década de 60  os projetos referentes às  obras de saneamento, incluindo as ETEs,   eram feitos pelo próprio corpo técnico permanente de engenheiros  lotado nas repartições e  serviços púbicos estaduais e municipais de água e esgotos ou por meio de consultores independentes , quase sempre professores universitários das disciplinas associadas principalmente à hidráulica de rios e canais.

Ao final desta era começaram a surgir empresas de consultoria  especializadas na elaboração de projetos  de saneamento, quase todas elas capitaneadas por  engenheiros civis egressos do serviço público, que com suas capacitações técnicas e administrativas  adquiridas ao longo dos anos de trabalho,   se animaram à empreender no setor privado induzidos pelo formidável “boom” surgido nos anos 70 com o advento das empresas estatais de saneamento, bem como do Banco Nacional de Habitação (BNH), braço financeiro de apoio a uma nova infraestrutura de saneamento implantada à época pelo regime militar (Planasa).

Neste cenário, as obras de infraestrutura sanitária, dentre elas as estações de tratamento de esgotos tinham seus projetos concebidos por estes poucos consultores, muitos deles formados nos cursos de pós  graduação da Faculdade de Higiene e Saúde Pública da USP e com cursos de especialização no exterior, como foi o caso do saudoso engenheiro (civil e químico) Max Lothar Hess, pioneiro em projetos de depuração de esgotos no Brasil, que fez seu mestrado na Alemanha com o legendário  Karl Imhoff, cujo famoso livro sobre tratamento de esgotos ele teve oportunidade de traduzir para o português   constituindo-se até hoje em uma referência da literatura técnica sobre o tema.

Nesta época, os projetos  de ETEs eram concebidos com base em dados empíricos obtidos quase sempre da literatura americana e alemã, além daqueles obtidos como  resultado das visitas às instalações similares no exterior empreendidas pelo consultor responsável pelo  projeto. Este fato decorria, uma vez que quase inexistiam dados da experiência brasileira, exceto aqueles utilizados para o dimensionamento das lagoas de estabilização, de longe a tecnologia de tratamento biológico  mais empregada na época ( e ainda hoje) graças ao seu baixo custo e disponibilidade de áreas livres e condições climatológicas. Foi desta forma que foram concebidos e dimensionados outros processos biológicos de tratamento como filtros biológicos,  lagoas aeradas, valos de oxidação e lodos ativados clássicos.

Entretanto, via de regra a maior parte destes projetos  eram implantados apenas parcialmente devido principalmente à carência de recursos financeiros e aos aspectos políticos envolvidos. No máximo se construíam tratamentos preliminar e primário constituído de gradeamento, caixa de areia, decantador e digestor de lodo ou “ tanque Imhoff” e, quando muito, filtro biológico.

Os equipamentos utilizados nas ETEs, pelo fato de não haver em consequência uma produção regular ocasionada pela baixa demanda, eram praticamente feitos sob medida adaptando-se aos projetos dimensionados quase sempre empiricamente. Nesta linha eram fabricados grades, removedores mecânicos de lodo , misturadores, agitadores,  aeradores superficiais, dispositivos de distribuição em filtros  percoladores, além de bombas.

Somente São Paulo e Rio dispunham de ETEs de maior porte como as ETEs Cidade Vargas, Pinheiros  e Vila Leopoldina em São Paulo  e Penha e Ilha do Governador no Rio. Foi,  no entanto, a partir da década de 70, com advento do Plano Sanegran em São Paulo que estações de tratamento de grande porte foram construídas (ETE Barueri, Suzano e ABC)  a partir de projetos concebidos com base em consultoria de empresas norte americanas de projetos de saneamento como a Hazen&Sawyer. No Rio foi implantado o emissário submarino de Ipanema, também com ajuda de consultoria externa (Engineering  Science).

Em consequência, o mercado de empresas de consultoria em saneamento se expandiu com o surgimento de empresas do porte da  Hidroservice, Planidro, Tecnosan e Coplasa em São Paulo e os escritórios técnicos Saturnino de Brito,  Enaldo Cravo Peixoto e Luiz Catanhede no Rio. Também empresas de equipamentos se expandiram e ampliaram o seu leque de fornecimento de uma maior linha de produtos fabricados, muitos deles sob  licença de fabricantes estrangeiros detentores de patente no exterior. Dentre as empresas nacionais fabricantes de equipamentos destacavam-se  Infilco/ Bygton,  Degremont, Filsan, Paterson, Solanil, entre outras.

Paralelamente, com a promulgação de  legislações ambientais no âmbito estadual e o consequente estabelecimento de padrões de emissão e de qualidade de água, bem como a criação de agências ambientais (Cetesb em S. Paulo e Feema, atual Inea, no Rio) surgiu um novo mercado representado pelo tratamento de efluentes industriais, praticamente inexistente nos primórdios do saneamento justamente pela ausência de um “enforcement” legal. São desta época o Decreto 8468/76 em S. Paulo e a NT 202 no Rio, em vigor até hoje.

Ao contrário dos projetos de ETEs urbanas que patinavam pelas razões políticas e econômicas já expostas, os projetos de sistemas de tratamento de efluentes industriais (ETDIs) experimentaram um crescimento acelerado ocasionado por uma demanda reprimida e principalmente pela atuação das agências ambientais que agregavam poder de comando e controle com prerrogativas de até cessar o funcionamento de atividades poluentes até que as desconformidades ambientais tivessem sido ao menos  equacionadas.

No entanto, os problemas referentes a falta de subsídios técnicos que permitissem conceber e dimensionar, por meio da adoção de  parâmetros reais e não só empíricos, estes sistemas de tratamento de características multidisciplinares ainda persistiam, pois eram pobres as pesquisas e a experiência prática oriundas de instalações já implantadas que pudessem subsidiar os ditos projetos, malgrado os esforços da Cetesb e de algumas universidades ( como as federal e estadual de São Carlos, SP) no desenvolvimento de pesquisas aplicadas como as do tratamento da vinhaça. Por conta disso, parâmetros de projeto eram quase que inteiramente obtidos na base da consulta à literatura técnica americana constantes notadamente nos diversos “guidelines” da EPA (Environmenta l Protection  Agency).

Iniciativas privadas visando minorar este problema com soluções amoldadas à realidade nacional, reduzindo-se consequentemente a dependência da literatura alienígena neste mister, emergiram  destacando-se a criação em 1979 em São Paulo da Ambiental Laboratórios (Atual NovaAmbi) que se propunha, através de ensaios de tratabilidade em amostras representativas do  despejo industrial sob teste conceber sistemas de tratamento, obtendo-se parâmetros de projetos específicos e o conhecimento antecipado da real performance de processo de tratamento em escala plena.

Mesmo assim, já nos anos 80, em uma outra e importante vertente, as empresas fabricantes de equipamentos  procuravam um maior intercâmbio técnico com suas congêneres no exterior objetivando importar tecnologias mais sofisticadas de equipamentos utilizados em sistemas de tratamento de efluentes industriais, cujo mercado, ao contrário das depuradoras municipais, continuava em expansão mercê a elevação dos níveis de exigências ambientais. Em consequência, foram firmadas algumas parcerias entre empresas nacionais e estrangeiras incluindo até mesmo mudanças de controle acionário (caso do acordo envolvendo  Filsan e FMC), bem como a vinda de empresas estrangeiras ao mercado brasileiro ( casos da Esmil, Parterson entre outras).

Não demorou muito, ao final da década de 90, as empresas de equipamentos multinacionais já de posse de tecnologias de ponta disponibilizadas por suas matrizes localizadas  nos Estados Unidos e Europa se diversificaram a ponto de ofertar além dos equipamentos individuais também sistemas completos de tratamento (“pacotes”) direcionados principalmente ao parque industrial, cujas exigências quanto à performance de processo sempre foram e são cada vez mais cobradas.

Neste particular, tem havido nos últimos anos uma revolução no que tange aos processos e equipamentos relacionados ao tratamento de esgotos e de efluentes industriais, sendo os mais notáveis  a separação de fases por membranas(em substituição ao decantador secundário) , a otimização de processos biológicos (aeróbios e anaeróbios) mais bem “engenheirados”,  o adensamento mecânico de lodos(em substituição aos adensadores por gravidade), secagem térmica de lodos  etc, além de toda uma linha de tratamentos avançados objetivando o reuso.

Enquanto isso, com relação aos projetos de ETEs  municipais no Brasil as tecnologias de tratamento atualmente utilizadas são geralmente as convencionais fruto da lavra quase que exclusiva das próprias empresas de consultoria contratadas ou de seus consultores sub contratados, normalmente professores universitários que militam na cadeira de saneamento.

Os projetos são desenvolvidos pela empresa de engenharia  segundo as modalidades de projetos, básico e executivo: No projeto básico, definem-se a concepção de tratamento e seu dimensionamento envolvendo todas as unidades integrantes do sistema incluindo  balanços de massa, fluxogramas de processo e o projeto hidráulico-sanitário.

No projeto executivo, representado pelos projetos arquitetônico, civil, estrutural; mecânico e tubulações; elétrico e instrumentação, detalham-se todas as instalações e especificam-se os equipamentos.

As especificações dos equipamentos, quando encomendadas por empresas do setor público,  embora relativamente detalhadas,  são propositadamente genéricas  feitas de  forma a não privilegiar qualquer fornecedor.Em consequência, deixa de existir a necessária  compatibilização entre equipamentos e entre equipamento e tancagem, um dos cuidados inerentes à fase de projeto, situação que frequentemente tem acarretado problemas durante a execução das obras e na própria operação.

Findo o projeto inicia-se o processo de contratação das obras junto a uma empreiteira que normalmente se responsabiliza também pela aquisição dos equipamentos dentro de um mesmo “pacote” de contratação. Tamanha liberdade de ação faculta a construtora até a mudar completamente o projeto envolvendo até mesmo a concepção original de tratamento em busca de opções mais baratas. Contudo, mantida a essência do  projeto, muitas vezes os equipamentos adquiridos segundo o critério de menor preço a partir destas especificações muito “elásticas” e sempre pelo critério de menor preço nem sempre se “conversam” ou mesmo se amoldam necessariamente  aos  tanques  projetados nos quais estarão inseridos obrigando a construtora a modificar o projeto.  A consequência desta prática é que muitos dos projetos  se desfiguram completamente nesta etapa de obra necessitando serem  refeitos justamente visando a se adaptarem aos equipamentos adquiridos a posteriori. O resultado, muitas vezes costuma ser trágico com obras de baixa qualidade, por vezes inacabadas e com baixas eficiências.

Diante disso, esta forma tradicional de se contratar os projetos de ETEs pelas empresas públicas de saneamento, tal como estabelecido pelo modelo atual de licitação, deve sofrer modificações no sentido de primeiro  resgatar ao poder público a sua prerrogativa em manter do principio ao fim  todo o controle do processo de contratação; em  segundo lugar definir plenamente o responsável principal pela performance da estação de tratamento, que no modelo atual de contratação é  algo difusa haja vista a multiplicidade de atores que participam do mesmo processo acabando por recair no Poder Público o ônus pelo insucesso.

O novo modelo  a seguir proposto altera substancialmente a atual forma de contratação deixando de ser pelo modo segmentado como atualmente se pratica. Em seu lugar a contratação se daria por meio da aquisição de uma solução integral avaliada pelo critério técnico e de melhor preço (custos de implantação- CAPEX e custos operacionais- OPEX) com o risco de performance e prazo transferido diretamente ao fornecedor privado , empresa ou consórcio de empresas detentoras de tecnologias e com uma retaguarda econômica financeira compatível com o  porte do empreendimento.

As empresas de consultoria e projetos, contratadas previamente, seriam responsáveis pelos estudos ambientais e pelo  projeto conceitual da estação de tratamento selecionada definindo-se sua performance à luz dos estudos de autodepuração do corpo receptor de acordo com os padrões legais de lançamento ou reuso e de qualidade, assim como a execução do projeto de interceptores e emissários, elevatórias, projetos arquitetônicos ,etc e também na preparação dos Termos de Referência e posterior avaliação técnica das propostas de ETEs  recebidas dos fornecedores de tecnologia nas modalidades “turn Key”, ou EPC a preço global fixo ou outras formas, tais como PPPs  e/ou locação de ativos.

Estas alterações conceituais se justificam tendo em vista a busca por garantias de performance impossíveis de serem concedidas segundo o modelo atual. É  também condizente com um mercado muito mais  adulto, em que a demanda por sistemas de tratamento municipal finalmente “decolou” por força de legislações como a que criou a Política Nacional de Saneamento, bem como de um novo equacionamento de recursos financeiros através do PAC 2- Plano de Aceleração do Crescimento, coordenado pelo Ministério das Cidades, além do surgimento de novos entrantes mediante  modelos de parcerias público – privada.

Entretanto, para que as novas modalidades de contratação de projetos de ETEs  (e também ETAs) se viabilizem é necessário que o Poder Público avalie as propostas dos fornecedores de tecnologias pelo critério de melhor técnica ao lado de melhor preço. Esta solução, já adotada em diversos países, é também utilizada com sucesso, entre nós, pela Petrobras mercê ao amparo de um dispositivo legal específico (Decreto 2.745/98 –– Regulamento do Procedimento Licitatório Simplificado da Petróleo Brasileiro S.A.) o qual poderia ser adaptado e até aprimorado com vistas  as obras de saneamento, particularmente na implantação de ETEs (e ETAs).

(José Eduardo W. de A. Cavalcanti)

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A DESPOLUIÇÂO DO RIO PINHEIROS E O CONTROLE DE CHEIAS DA RMSP

O Rio Pinheiros, cujas nascentes originais situavam-se no encontro do Rio Guarapiranga com o Rio Grande era, nos tempos coloniais, chamado de Jurubatuba, que, em língua tupi, significa “lugar com muitas palmeiras jerivás .  O nome Pinheiros se deveu aos  jesuítas, em 1560, por causa da criação por aqueles padres de um aldeamento indígena em uma região onde havia grande quantidade de araucárias, árvores também conhecidas como pinheiros-do-brasil.

Considerando seu curso natural , o Pinheiros recebe até a sua foz no rio Tietê,  pela sua margem esquerda, os afluentes: ribeirão Jaguaré, rio Pirajuçara,o córrego Poá e o Embú-Guaçu (Guarapiranga). Pela sua margem direita recebe os córregos: Belini, Corujas, Verde,  Iguatemi, Sapateiro,  Uberaba, Traição,  Água Espraiada (Jabaquara), ribeirão Morro do S, córregos Ponte Baixa, Zavuvu  e Olaria. A área de drenagem da bacia é de 270 km2 e a vazão média anual do Pinheiros em sua foz era estimada em 10 m3/s.

Entretanto, ao longo dos anos  o rio Pinheiros tem sofrido intervenções de monta de forma a alterar substancialmente suas características hidrológicas originais: Em 1908 foi inaugurada a represa do Guarapiranga através  do barramento de um de seus afluentes, rio Embu- mirim, com a finalidade de contribuir para a regularização da vazão do rio Tietê na alimentação da usina de Parnaíba, construída em 1901.

 A partir de 1928 até os anos 50, com o objetivo de aumentar a capacidade de geração da Usina Henry Borden de Cubatão, foi promovida a retificação e reversão do curso do rio Pinheiros visando o controle de cheias e o direcionamento das suas águas em direção à represa Billings. Para tanto, foram construídas em 1939/40 as usinas elevatórias de Pedreira e Traição (que permitem reverter as águas do rio Pinheiros, elevando-as cerca de  25 metros, atingindo o reservatório Billings)  e a estrutura do Retiro na confluência com o rio Tietê.

Desta forma, com a desfiguração do rio surgiu o “canal do Pinheiros”  com cerca de 25 km de extensão (desde a elevatória de Pedreira até o paredão do Retiro),largura entre 80 e 90m, profundidade média de 4,5 m e declividade teórica de zero. Por força das condições hidrológicas artificialmente impostas ao Pinheiros dificultando a ocorrência dos fenômenos naturais de autodepuração, agravadas pelas deficiências existentes em termos de  saneamento básico de toda a bacia do Alto Tietê assim como pelos efeitos da poluição difusa, potencializaram a decadência de suas águas (e também as de seus afluentes) tornando-as maciçamente poluídas a ponto de exalarem odores fétidos sentidos pela população que frequenta suas margens.

Por conta disso,  impuseram-se, a partir da década de 80, restrições ambientais ao sistema de reversão que culminaram na promulgação do artigo 46 das Disposições Transitórias da Constituição do Estado de São Paulo, que proíbe o bombeamento de águas poluídas da bacia do Alto Tietê transportadas pelo rio Pinheiros para o reservatório Billings. Para regulamentar esse dispositivo legal, foi emitida, em 1992, a Resolução Conjunta SEE-SMA-SRHSO 1, DE 31 DE JANEIRO 2001, que permite a operação de reversão apenas em situações emergenciais, quais sejam: a) a vazão do Rio Tietê, no ponto de sua confluência com o Canal Pinheiros, atinge 160m3/s; b) o nível de água na confluência do Tietê com o Pinheiros apresenta sobrelevação superior a trinta centímetros; c) a cota na tomada de água na Usina Henry Borden cai a níveis insuficientes para assegurar o fornecimento de energia elétrica em situações de emergência; d) ocorrer formação de espumas no Rio Tietê depois da Barragem Edgard de Souza de forma a extravasar o espelho d’água; e) acontecer proliferação de algas no rios e reservatórios da Região Metropolitana e no Médio Tietê em quantidade tal que comprometa a qualidade do abastecimento público de água. (Eletropaulo, 1996:10).

Uma tentativa de despoluir o rio Pinheiros objetivando permitir seu bombeamento para a represa Billings foi encetada em janeiro de 2001 com a implantação de uma planta piloto utilizando a técnica de flotação, com capacidade de 10 m3/s, instalada no leito do rio próximo à elevatória de Pedreira. Contudo, em 2011  embora os testes indicassem uma certa melhoria na qualidade das águas, os resultados não foram suficientes de modo a permitir o bombeamento da água do rio para a Billings. Segundo o promotor José Eduardo Ismael Lutti, “a qualidade da água obtida nos testes não atende os padrões legais e certamente virá a causar danos irreversíveis à Billings e, possivelmente, em consequência, à Guarapiranga, tanto sob o ponto de vista ambiental quanto no de saúde pública”.

Desta forma, parece não haver solução a curto prazo para o saneamento das águas do Pinheiros não só no que tange ao aproveitamento para a geração de energia elétrica em Henry Borden, mas também em termos sanitários e até mesmo estéticos. Isto se deve ao fato de não ser possível considerar uma solução isolada para este rio tendo em vista o papel preponderante desempenhado atualmente pelo  Pinheiros em todo o sistema hidráulico de controle de cheias.

A solução para a despoluição das águas do rio Pinheiros  além da conclusão das obras de infraestrutura sanitária em toda sua bacia, passa pela adoção de um novo e necessário sistema de desvio de cheias com emboque na confluência do Tamanduateí através de tuneis em direção às águas do médio Tietê a jusante de Pirapora ou Edgard de Souza, tal como preconizado pelo PDMAT- Plano de Macro Drenagem do Alto Tietê de 1998, atualmente em reformulação.

Só assim o rio Pinheiros ficaria livre das águas imundas oriundas de bacias alheias a invadi-lo através de sua antiga foz. Então será possível  a adoção de uma solução isolada visando despolui-lo.

(José Eduardo Cavalcanti)

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MBR – PROCESSO AVANÇADO DE TRATAMENTO DE ESGOTOS

Em se tratando de um processo de MBR (Membrain Bioreactor) para o tratamento biológico de esgotos sanitários ou despejos industriais predominantemente orgânicos  algumas recomendações devem ser seguidas para o sucesso do empreendimento.

Trata-se, sem dúvida alguma, de uma tecnologia de ponta, até certo ponto com poucas referencias no cenário brasileiro e com muitas variáveis operacionais.Desta forma, sua adoção deve ser cercada de cuidados.

Inicialmente deve-se entender, e se possível “enraizar” em nossos conceitos, que MBR não é um produto  mas um sistema que consiste na união quase perfeita entre separação fina de sólidos evolvendo o reator biológico (normalmente operando pelo processo de lodos ativados) mais a filtração por membranas. Isto posto, cabe aqui um alerta: MBR  não é igual a uma filtração terciaria.

Assim sendo, o foco passa a se concentrar nos fatores que devem ser considerados na execução do projeto e na seleção  do fornecedor da membrana.

Alguns destes fatores são imprescindíveis e vão fazer a diferença na seleção de fabricantes e principalmente nas garantias de performance (índice de qualidade, energia passivo ambiental (lodo) e espaço, todos relacionados ao volume de efluente tratado produzido).

Existe uma série de parâmetros que devem ser conhecidos e controlados. Alguns já fazem parte dos processos clássicos de tratamento, e que são chaves, como o tempo de retenção hidráulico (TRH ou SRT), relação entre alimento e microrganismos (A/M ou F/M) e teor de sólidos em suspensão  voláteis (SSV), por exemplo.

Entretanto, existem outros parâmetros que na sua grande maioria são desconhecidos, ou pouco usuais, mas  fundamentais no dimensionamento de sistemas MBR. São eles: pressão trans membrana (pressão exercida sobre a superfície da membrana – TMP) expressa em “kPa” ou “ bar”; fluxo permeado, definido como o volume que permeia a membrana por unidade de área e tempo, ou seja vazão por área (L/m2.h ou lmh).

Tomando-se a membrana como inerte e incompreensivel, o fluxo de  permeado é diretamente proporcional a pressão trans membrana, ou seja, Net flux.TMP (L/m2,h.bar), além de alcalinidade e dureza do afluente ou esgoto.

Como fórmulas tem-se:    JP = Q/A = (net flux)\ JP = NET FLUX . DP [lmh/bar]

Em resumo: compreendendo-se os conceitos que envolvem o processo MBR se estará dando passos importantes na escolha da tecnologia. É sempre bom buscar referencias das aplicações pelos fornecedores ou, no caso de despejos industriais, executar ensaios piloto de tratabilidade, pois só assim será possível obter um processo confiável, compacto e com alta performance.

(Roberto dos Santos e José Eduardo Cavalcanti)

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Muita Propaganda, pouca ação….

Diariamente podem ser encontrados artigos relacionados aos investimentos com meio ambiente por parte das empresas de todos os setores e portes. A maioria deles usa palavras como “sustentabilidade”, “atuação consciente”, “gerenciamento ambiental”, “preservação” e inúmeras outras. Na prática, estes investimentos são insuficientes e/ou inadequados face às reais necessidades. Muitas das propagandas sugerem que as ações no sentido de preservação e controle de poluição são iniciativas próprias, como um favor à “natureza”, quando na verdade apenas visam atendimento mínimo às exigências legais vigentes.

A indústria tem mostrado crescimento, a economia segue aquecida, as crises afetam menos ao país, ao passo que cresce também o “discurso ambiental”. Mas o discurso apresenta grande disparidade em relação às ações concretas.

(Silvio Lanza)

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Quem pariu Mateus, que o embale

O “Acordo de Cavalheiros” entre a APAS –Associação de Supermercados e o Governo do Estado, firmado à revelia da população do estado de São Paulo, que objetivava suspender o fornecimento gratuito de sacolas plásticas aos clientes dos supermercados despertou a atenção do Procon e do Ministério Público estadual, dada a grita da população que nem sequer foi convenientemente informada da “nova ordem unilateralmente estabelecida”, tendo sido pega de surpresa!

Diante disso, instalou-se imediatamente o caos no setor de embalagens junto aos caixas dos supermercados, uma vez que as embalagens alternativas como caixas de papelão, descartadas tal e qual pelas lojas eram insuficientes para atender a clientela sendo consequentemente disputadas quase à tapa pelos clientes. Outros deixavam as lojas fazendo verdadeiros malabarismos com as mercadorias adquiridas, pois se recusavam a pagar os 19 centavos por cada sacolinha biodegradável que as lojas avidamente apressavam em vender, juntamente com as retornáveis.

Relembrando: a celebração deste acordo foi uma outra forma “engenhosa” imaginada pelos  supermercados  visando contornar a suspensão da Lei de nº 15.374  recém promulgada pela Prefeitura de São Paulo que proíbe a venda e a distribuição de sacolinhas plásticas nos supermercados e centros comerciais da cidade de São Paulo  que foi suspensa por uma liminar, mantida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

A ação do Ministério Público e do Procon foi então impor a APAS a assinatura de um Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta (TAC) objetivando implantar em um prazo de 60 dias uma campanha comunicando à população a substituição das sacolinhas plásticas por outras reutilizáveis. (informando também das vantagens, etc)

Pelo TAC, neste meio tempo, os supermercados terão de fornecer embalagens gratuitas, “adequadas e compatíveis com os produtos adquiridos”, feitas de plástico biodegradável, além de oferecerem uma sacola reutilizável ao preço de até 59 centavos.

Contudo, pode-se esperar que findo os 60 dias do TAC os transtornos à população que se serve destes estabelecimentos voltarão em toda a sua intensidade, pois  os problemas das embalagens  ainda permanecem sem solução.

Cabe então a pergunta: Por que então não se  manter a distribuição gratuita por conta dos próprios supermercados das tais sacolinhas biodegradáveis? Já não faziam a mesma coisa até agora com as outras?

Caso contrário, aquela estória de “tirar o planeta do sufoco”, mote do “Acordo” assinado, poderia ser interpretada como uma forma marota de se economizar os 500 milhões de reais gastos anualmente com aquelas embalagens ditas “perniciosas”.

Também, visando a preservação do meio ambiente as sacolinhas, agora sob a forma biodegradável, poderão continuar sendo utilizadas também segundo sua função secundária, isto é embalar e destinar o lixo doméstico livrando as ruas da poluição difusa.

(José Eduardo Cavalcanti)


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PROIBIÇÃO DAS SACOLINHAS PLÁSTICAS NÃO É MAIS LEI. RESUMIU-SE A UM “ACÔRDO DE CAVALHEIROS” EM QUE A POPULAÇÂO NÃO PARTICIPOU!

Sob o mote: “ vamos tirar o planeta do sufoco”, no dia 25 de janeiro de 2012 as sacolas  plásticas descartáveis utilizadas na embalagem dos produtos adquiridos pela clientela serão banidas dos supermercados de São Paulo, mercê a um acordo celebrado entre o Governo do Estado e a APAS- Associação Paulista de Supermercados.

Em troca, os fregueses terão de comprar no próprio estabelecimento, a um preço variando entre R$ 0,19 à R$1,80, sacolas biodegradáveis, feitas de amido de milho ou ecobags,  ou mesmo trazer sacolas de pano de casa ou ainda utilizar caixas de papelão descartadas pelos supermercados.

O “acordo de cavalheiros” foi assinado porque a Lei  de nº 15.374 de  19 de maio de 2011, que proíbe a venda e a distribuição de sacolinhas plásticas nos supermercados e centros comerciais da cidade de São Paulo foi suspensa pelo Desembargador Luiz Pantaleão que atendeu o pedido de liminar feito pelo Sindicato da Industria de Material Plástico com o argumento de que “além de ineficaz a Lei contraria o direito do consumidor de levar os produtos comprados no comércio”. Também o Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu manter a liminar dada ao Sindicato após considerar improcedente as alegações expostas no recurso da Prefeitura. A Procuradoria Geral do Município deverá recorrer da decisão no STF.

Na realidade, de prático, a responsabilidade por este ônus passou dos supermercados  para o consumidor final que terá ainda de se virar para embalar e para transportar suas compras tudo em nome de uma pretensa ideia de sustentabilidade, aliás  questionável, uma vez que  o PEAD (polietileno de alta densidade), matéria prima destas sacolas plásticas, causam menor impacto ambiental que as sacolas feitas com papel, de acordo com estudos recentes (”Life Cycle Assessment of Supermarket Carrier Bags”, de Chris Edwards e Meyhoff Jonna Fry).

Além disso, outras  embalagens sugeridas como as caixas de papelão reutilizadas, cuja procedência e uso anterior não podem ser precisados, assim como sacolas de pano retornáveis poderão contaminar os produtos  alimentícios embalados.

Uma outra questão é que, tradicionalmente, as sacolas plásticas tem tido uma outra utilização, desta vez de cunho ecológico, pois são maciçamente utilizadas pelas donas de casa para embalar e destinar o lixo doméstico. A falta destes recipientes terá pois consequências danosas podendo causar um  prejuízo  ambiental real.

Finalmente, uma das justificativas alegadas para o banimento das sacolas plásticas é a de que levariam centenas de anos para se degradar no meio ambiente, mais exatamente nos aterros sanitários ou nos lixões.

Mas o fato é que a disposição de lixo sobre o terreno é uma prática arcaica que está com os dias contados, principalmente nas grandes metrópoles como São Paulo, onde já não existem áreas próximas adequadas para a disposição final destes resíduos.

A melhor tecnologia de destruição do lixo doméstico são os modernos incineradores acoplados a termelétricas, com dispositivos de controle de emissãoes, similarmente aos utilizados em vários países da Europa. Neste caso, o lixo “enriquecido” com material plástico teria seu poder calorífico elevado propiciando um maior rendimento termodinâmico.

Ao que parece , o “acordo de cavalheiros” firmado pode ter sido, no mínimo, apressado, uma vez que não foi antecedido de um estudo sério de impacto ambiental, parecendo ter sido orientado em direção a aspectos econômicos e de marketingecológico.Diante disso, espera-se que o STF ao julgar o recurso da Prefeitura de São Paulo leve em conta todos os aspectos técnicos, bem como os impactos ambientais, direta e indiretamente envolvidos.

( José Eduardo Cavalcanti)

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O Abastecimento de Água para a Macro Metrópole Paulista

Contratado pela Secretaria de Energia e Saneamento, atual Secretaria de Recursos Hídricos, o Plano Diretor de Aproveitamento dos Recursos Hídricos para a  Macro Metrópole Paulista prevê uma meta de suprimento adicional de água, para o horizonte de projeto de 2030, de mais 56 m3/s envolvendo  usos agrícola, industrial e doméstico. Este Plano encontra-se atualmente em fase de análise por parte dos técnicos da Secretaria.

A Macro  Metrópole Paulista, ocupa uma área equivalente a 21% da área de todo o estado. É composta da região metropolitana de São Paulo (RMSP), Baixada Santista, Vale do Paraíba e o médio Tietê. Abrange  180 municípios que abrigam 75% da população do estado, concentrando 83% do PIB estadual.

Para atender toda esta vazão suplementar de água, correspondente a praticamente dois sistemas cantareiras foram estudados dentro e fora do perímetro desta macro metrópole possíveis mananciais em condições de atender, em termos de quantidade e qualidade de água, toda esta demanda.

Os mananciais estudados encontram-se: na  Bacia do Médio Tietê/PCJ Paranapanema (Barra Bonita, Jurumirim/Sorocaba, Sorocaba/Sarapuí); na Bacia do Juquiá/São Lourenço (Cascata do Juquiá, São Lourenço/França, Baixo Juquiá, São Lourenço/Mambú); nas Bacias PCJ (reservatório Capivari-Mirim, Piraí, Pedreira, Duas Pontes, Campo Limpo, Junduvira); na Bacia Paraiba do Sul (afluentes do rio Paraíba, Jaguari/Atibainha, reservatório Paraibuna) e Bacia Alto- Tietê/ Baixada (Itatinga- Itapanhaú, braço do rio Pequeno/ Billings , Capivari-Monos).

Todos estes mananciais, em maior ou menor grau, possuem entraves e  restrições de caráter ambiental, institucional e econômico que necessitam ser equacionados e solucionados.

Mas o fato é que isto requer urgência, uma vez que a situação hídrica desta região, onde atualmente oferta e demanda praticamente se equivalem, pode já ser considerada de alto risco em termos de ocorrência de um colapso no suprimento de água. A concretização de um sistema de abastecimento de água nas proporções requeridas  exigirá, além de vultosos recursos financeiros, também tempo que poderá se tornar crítico se providências não forem tomadas de imediato. O Sistema Cantareira, fruto da visão estratégica de eminentes sanitaristas paulistas, requereu para sua implantação 5 anos de trabalhos intensos (1969- 1974).

Desta forma, o problema de abastecimento de água em nossa região, particularmente na RMSP e bacias do Jundiaí e Piracicaba, se reveste de contornos dramáticos exigindo uma solução de alto nível.

Com a palavra, pois,  o Governador do Estado de São Paulo, Dr. Geraldo Alkmim.

(José Eduardo Cavalcanti)

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A QUEM INTERESSA A DIVISÃO DO PARÁ

Pouca gente sabe disso, mas está marcado para o próximo dia 11 de dezembro um plebiscito para que os habitantes do  Pará  decidam sobre o destino de seu Estado. De acordo com a proposta, aprovada em má hora pelo Congresso Nacional, a ser posta em votação, os eleitores do Pará deverão decidir pela fragmentação ou não  de seu Estado em 3 novas unidades federativas denominadas Tapajós, Carajás, além do novo Pará formatado com o que sobrou desta retalhação.

O futuro Estado de Tapajós com cerca de  60% da área do atual Estado do Pará teria uma população de 1,3 milhões de habitantes (23% da população do atual Estado do Pará), enquanto Carajás, com 25% da área, ficaria com 1,6 milhões (16 % da população).

 Já o novo Pará, ressurgido mais empobrecido ainda, ficaria com a maior parte da população estimada em 4,6 milhões de pessoas vivendo em apenas 20% da área original, O PIB e a arrecadação do ICMS do novo estado decairiam brutalmente, ficando respectivamente 45% e 33% menores relativamente aos valores auferidos atualmente pelo Estado do Pará, o que ensejaria de imediato uma queda no PIB per capita do novo Estado. Além disso, o novo Pará deixaria de se beneficiar de suas imensas riquezas representadas por Tucuruí, Belo Monte e principalmente pelas minas de ferro do município de Paraupebas (maior produtora de minério de ferro do mundo), pelas minas de bauxita do Rio  Norte e Juruti, pelas minas de cobre em Marabá e Canãa, sem contar as importantes reservas de cobre e níquel. Restariam apenas as minas de bauxita em Paragominas

Quanto aos dois outros estados resultantes desta “implosão” territorial simplesmente não teriam autonomia financeira ficando totalmente dependentes do Governo Federal, segundo estudos do IPEA- Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas. Carajás inclusive seria um estado interior desprovido de litoral, significando que grande parte da riqueza emanada dessa região dependeria para o seu escoamento dos estados vizinhos banhados pelo mar!

Sob o ponto de vista político, aqueles dois novos estados arcariam com mais 6 senadores e mais 33 cargos eletivos políticos entre deputados federais e estaduais para cada um, sem contar com o inchaço da máquina administrativa  devido a necessidade de  criação de novos empregos públicos para atender ao aumento da burocracia e o clientelismo.

Sob o ponto de vista ambiental, considerando que o Pará é a principal porta de entrada e de saída da Amazônia, o inexorável empobrecimento de toda aquela região,  caso se concretize o desmembramento, haveria um agravamento da já difícil ação fiscalizatória de cunho ambiental por parte das autoridades locais propiciando portanto condições para o aumento do desmatamento, da exploração predatória da fauna e  da flora, do aumento dos garimpos ilegais, da  elevação da violência no campo pela disputa de terras e outras distorções ocasionando graves prejuízos ambientais para toda a região amazônica.

Os eleitores do Pará, abrindo mão de seu rico e generoso sub solo e de sua exuberante floresta estarão dando um tiro em seus próprios pés e nos de seus descendentes, abrindo caminho a  aventureiros e predadores de toda espécie descompromissados com os interesses paraenses e do Brasil.

A retalhação do Pará gerando a criação de três estados pobres não favoreceria o desenvolvimento daquela região e por extensão do país, como preconizam os desinformados desprovidos de qualquer visão de futuro, e os políticos de má fé. Muito pelo contrário.

(José Eduardo Cavalcanti)

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PASSIVOS AMBIENTAIS

A recente celeuma havida em torno da emissão de gases provenientes da decomposição de material orgânico outrora depositado em um “lixão” implantado sem nenhum critério sanitário sobre uma extensa área  de várzea localizada à margem direita do Tietê na região onde se encontra o Center Norte e o conjunto habitacional Cingapura deve servir de alerta às autoridades e aos  empreendedores que desejam usufruir de terrenos localizados em áreas críticas da Região Metropolitana que no passado abrigaram outros “lixões”, além de inúmeros estabelecimentos industriais poluentes e postos de combustíveis, cujos responsáveis não tinham maiores preocupações ambientais, até porque o país carecia de uma bem fundamentada legislação específica.

O problema é que em muitas destas áreas com elevado potencial de utilização imobiliária ou industrial não se conhecem a priori eventuais contaminações pretéritas do  solo e de águas subterrâneas que possam caracterizar passivos ambientais e, conseqüentemente, os níveis de  exposição aos riscos que possam comprometer sua ocupação aos fins a que foram destinados. Outro caso típico é o do Condomínio Barão de Mauá, erguido sobre um antigo depósito enterrado de resíduos de uma antiga indústria metalúrgica (passivo até então esquecido ou desconhecido), cuja emanação de gases oriundos do seu sub solo acabaram por condenar definitivamente todo aquele conjunto habitacional criando um grave problema social e causando aos empreendedores um prejuízo de centenas de milhões de reais em indenizações e intervenções destinadas a reparar o dano causado.

Até a poucos anos atrás a escolha de uma área para um determinado tipo de empreendimento habitacional, comercial ou industrial apenas se levava em conta  aspectos imediatistas como a infra estrutura existente no local, meios de transporte, mercado, não se levando em conta a variável ambiental, dentre elas a investigação de potenciais passivos ambientais nos terrenos adquiridos no “escuro”, isto é sem a sua certificação ambiental.

Constatada posteriormente a existência do “mico” ambiental cabe ao  proprietário de plantão a responsabilidade pela remediação e recuperação da área comprometida por terceiros, mesmo que não ele tenha tido qualquer tipo de culpa pelo passivo existente que inclusive pode algumas vezes até mesmo transcender os limites de sua propriedade e ter se expandido em direção aos terrenos vizinhos. O Direito Ambiental, brsileiro, contrariamente ao Direito clássico, não objetiva a procura por eventuais culpados, mas sim por responsáveis pelo dano dentre os quais se inclui principalmente o  último proprietário.

Desta forma, é imprescindível antes de se adquirir uma área para qualquer tipo de empreendimento  que os compradores, públicos ou privados, exijam dos proprietários dos terrenos a certificação  daquela área dando conta de sua conformidade ambiental. Esta certeza só é possível após a realização de uma investigação ambiental confirmatória realizada criteriosamente segundo as Normas estabelecidas pela Cetesb. Preferivelmente, para maior segurança, este estudo deve ser realizado também pelo próprio adquirente.

Caso seja constatada alguma irregularidade ambiental o atual proprietário, de acordo com a Lei, deverá informar às autoridades ambientais a existência deste passivo e as providências que estarão tomando para remediar a área em questão. A auto denúncia é uma das formas  de atualização da listagem oficial das áreas contaminadas que está  disponível no “site” da Cetesb é constantemente atualizada.

(José Eduardo Cavalcanti)

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