O “Acordo de Cavalheiros” entre a APAS –Associação de Supermercados e o Governo do Estado, firmado à revelia da população do estado de São Paulo, que objetivava suspender o fornecimento gratuito de sacolas plásticas aos clientes dos supermercados despertou a atenção do Procon e do Ministério Público estadual, dada a grita da população que nem sequer foi convenientemente informada da “nova ordem unilateralmente estabelecida”, tendo sido pega de surpresa!
Diante disso, instalou-se imediatamente o caos no setor de embalagens junto aos caixas dos supermercados, uma vez que as embalagens alternativas como caixas de papelão, descartadas tal e qual pelas lojas eram insuficientes para atender a clientela sendo consequentemente disputadas quase à tapa pelos clientes. Outros deixavam as lojas fazendo verdadeiros malabarismos com as mercadorias adquiridas, pois se recusavam a pagar os 19 centavos por cada sacolinha biodegradável que as lojas avidamente apressavam em vender, juntamente com as retornáveis.
Relembrando: a celebração deste acordo foi uma outra forma “engenhosa” imaginada pelos supermercados visando contornar a suspensão da Lei de nº 15.374 recém promulgada pela Prefeitura de São Paulo que proíbe a venda e a distribuição de sacolinhas plásticas nos supermercados e centros comerciais da cidade de São Paulo que foi suspensa por uma liminar, mantida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
A ação do Ministério Público e do Procon foi então impor a APAS a assinatura de um Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta (TAC) objetivando implantar em um prazo de 60 dias uma campanha comunicando à população a substituição das sacolinhas plásticas por outras reutilizáveis. (informando também das vantagens, etc)
Pelo TAC, neste meio tempo, os supermercados terão de fornecer embalagens gratuitas, “adequadas e compatíveis com os produtos adquiridos”, feitas de plástico biodegradável, além de oferecerem uma sacola reutilizável ao preço de até 59 centavos.
Contudo, pode-se esperar que findo os 60 dias do TAC os transtornos à população que se serve destes estabelecimentos voltarão em toda a sua intensidade, pois os problemas das embalagens ainda permanecem sem solução.
Cabe então a pergunta: Por que então não se manter a distribuição gratuita por conta dos próprios supermercados das tais sacolinhas biodegradáveis? Já não faziam a mesma coisa até agora com as outras?
Caso contrário, aquela estória de “tirar o planeta do sufoco”, mote do “Acordo” assinado, poderia ser interpretada como uma forma marota de se economizar os 500 milhões de reais gastos anualmente com aquelas embalagens ditas “perniciosas”.
Também, visando a preservação do meio ambiente as sacolinhas, agora sob a forma biodegradável, poderão continuar sendo utilizadas também segundo sua função secundária, isto é embalar e destinar o lixo doméstico livrando as ruas da poluição difusa.
(José Eduardo Cavalcanti)